
Entorse do tornozelo: o que fazer e como recuperar?
“Pus o pé em falso.” “Virei o tornozelo.” “É só uma entorse.”
A entorse do tornozelo é uma das lesões musculoesqueléticas mais frequentes, particularmente no desporto. Apesar de muitas vezes ser encarada como uma lesão menor, uma recuperação incompleta pode deixar dor, sensação de instabilidade e aumentar o risco de voltar a acontecer.
O que acontece numa entorse?
A maioria das entorses acontece quando o pé roda para dentro de forma brusca, colocando maior tensão sobre os ligamentos da região lateral do tornozelo.
Dependendo da gravidade, pode existir apenas uma lesão ligeira das fibras ligamentares ou uma lesão mais significativa.
É frequente surgirem:
- dor e dificuldade em apoiar o pé;
- inchaço;
- hematoma;
- limitação do movimento;
- sensação de instabilidade.
Mas nem todas as entorses são iguais. Após um trauma mais significativo, é importante excluir situações como fratura, lesões da sindesmose ou outras estruturas do tornozelo.
Fiz uma entorse. Repouso e gelo?
O gelo pode ser utilizado para ajudar a controlar os sintomas, mas não é aquilo que vai recuperar o tornozelo.
Também não é recomendado ficar vários dias sem utilizar o pé em todas as entorses. Atualmente, privilegia-se a proteção adequada e a introdução progressiva de carga e movimento, de acordo com a gravidade e tolerância de cada pessoa.
Em algumas situações pode ser útil utilizar temporariamente uma ligadura funcional ou ortótese. Nas entorses mais graves, pode justificar-se um curto período de maior imobilização.
Onde entra a fisioterapia?
A fisioterapia não serve apenas para diminuir o inchaço e recuperar o movimento.
Uma reabilitação adequada deve recuperar progressivamente mobilidade, força, equilíbrio, controlo neuromuscular e capacidade para tarefas específicas, como correr, saltar ou mudar de direção.
E isto tem uma consequência importante: fazer uma boa reabilitação reduz o risco de uma nova entorse. Uma revisão sistemática com mais de 2.000 participantes encontrou menos recorrências aos 12 meses nas pessoas que realizaram programas de exercício comparativamente aos cuidados habituais.
Quando posso voltar a correr ou treinar?
Não existe um número de dias igual para todas as pessoas.
Mais importante do que cumprir simplesmente “duas semanas” ou “um mês” é perceber se o tornozelo recuperou aquilo que a atividade exige.
Antes de regressar ao desporto devemos considerar fatores como dor, mobilidade, força, equilíbrio, confiança e capacidade para correr, saltar, aterrar e mudar de direção. A progressão deve aproximar-se gradualmente das exigências reais da modalidade.
Em resumo
Uma entorse do tornozelo pode parecer simples, mas deixar de ter dor não significa necessariamente estar totalmente recuperado.
Controlar os primeiros sintomas é apenas o início. O objetivo é voltar a dar ao tornozelo força, mobilidade, estabilidade e capacidade para responder às exigências do dia a dia ou do desporto.
Na +Physio, procuramos que não voltes apenas a mexer o tornozelo. Queremos que voltes a confiar nele.
Referências
- Martin RL, et al. Ankle Stability and Movement Coordination Impairments: Lateral Ankle Ligament Sprains Revision 2021. Clinical Practice Guidelines. J Orthop Sports Phys Ther. 2021;51(4):CPG1-CPG80.
- Wagemans J, et al. Exercise-based rehabilitation reduces reinjury following acute lateral ankle sprain: A systematic review update with meta-analysis. PLoS One. 2022;17:e0262023.



