
Dor no joelho ou dor patelofemoral?
Como distinguir e o que fazer
Dor no joelho é uma queixa muito comum, mas nem toda a dor à frente do joelho significa o mesmo. Uma das causas frequentes, sobretudo em pessoas fisicamente ativas, é a dor patelofemoral, muitas vezes conhecida como “síndrome patelofemoral” ou “joelho do corredor”.
O que é a dor patelofemoral?
É uma dor geralmente localizada à volta ou atrás da rótula, que tende a agravar com atividades que aumentam a carga sobre a articulação patelofemoral, como:
- subir ou descer escadas;
- agachar;
- correr;
- saltar;
- permanecer muito tempo sentado com o joelho dobrado.
A reprodução desta dor durante o agachamento ou outras tarefas com o joelho em flexão é um dos elementos mais úteis na avaliação clínica.
Então, como distinguir de “uma dor no joelho”?
A localização e o comportamento dos sintomas ajudam bastante.
Uma dor muito localizada na linha articular, associada a trauma, bloqueio, derrame importante ou instabilidade pode sugerir outras estruturas e merece uma avaliação específica.
Na dor patelofemoral, é mais habitual existir uma dor anterior, por vezes difícil de apontar com um dedo, que aparece sobretudo quando aumentamos a carga sobre o joelho.
Não existe, no entanto, um único teste ou exame de imagem que confirme sozinho o diagnóstico. A avaliação deve excluir outras possíveis causas de dor anterior do joelho.
O que posso fazer?
Na maioria dos casos, a solução não passa por deixar completamente de mexer o joelho.
O tratamento deve ser adaptado à pessoa e à forma como os sintomas surgiram, mas geralmente inclui gestão temporária da carga e exercício progressivo.
A evidência atual recomenda sobretudo exercícios direcionados para joelho e anca, com progressão de força e tolerância às atividades que provocam sintomas. A combinação de exercícios para estas duas regiões apresenta melhores resultados do que trabalhar apenas o joelho.
Também pode ser necessário ajustar temporariamente volume de corrida, saltos, agachamentos ou outras tarefas, sem necessariamente as eliminar.
Em alguns casos, estratégias como taping patelar ou palmilhas pré-fabricadas podem ajudar no curto prazo, mas devem ser vistas como complemento. O exercício continua a ser o elemento central do tratamento.
Preciso de uma ressonância?
Na maioria das apresentações típicas, não é necessária para começar o tratamento.
A dor patelofemoral é sobretudo um diagnóstico clínico. Exames complementares podem ser úteis quando existem sinais atípicos, trauma relevante, bloqueio, derrame persistente ou ausência de evolução como seria esperado.
Em resumo
Ter dor no joelho não significa necessariamente ter uma lesão grave — e ter dor patelofemoral não significa que tenha de deixar de correr, treinar ou fazer exercício.
O mais importante é perceber o que está a sobrecarregar o joelho, quanto consegue tolerar atualmente e como podemos aumentar essa capacidade de forma progressiva.
Na +Physio, a avaliação permite identificar estes fatores e construir um plano adequado ao teu dia a dia e aos teus objetivos.
Referências
- Willy RW, et al. Patellofemoral Pain: Clinical Practice Guidelines. J Orthop Sports Phys Ther. 2019;49(9):CPG1-CPG95.
- Neal BS, Lack SD, Bartholomew C, Morrissey D. Best practice guide for patellofemoral pain. Br J Sports Med. 2024;58(24):1486-1495.
- Crossley KM, Callaghan MJ, van Linschoten R. Patellofemoral pain. Br J Sports Med. 2016;50(4):247-250.



