
Tendinopatia do supraespinhoso: quanto pode a fisioterapia ajudar?
Dor no ombro quando levanta o braço, veste um casaco ou tenta dormir sobre esse lado?
Uma das estruturas frequentemente associadas a este tipo de sintomas é o tendão do supraespinhoso, um dos quatro músculos que constituem a coifa dos rotadores.
Quando este tendão apresenta dor e perda de função relacionadas com a carga, podemos estar perante uma tendinopatia da coifa dos rotadores. Mas há uma mensagem importante: encontrar alterações no tendão não significa que o ombro esteja “estragado” nem que tenha de deixar de o utilizar.
O que é a tendinopatia do supraespinhoso?
O supraespinhoso ajuda a movimentar e estabilizar o ombro e é solicitado em inúmeras tarefas do nosso dia a dia.
A dor pode surgir após um aumento da carga — mais treino, trabalho acima da cabeça ou movimentos repetidos — mas também pode desenvolver-se gradualmente, sem existir um momento específico de lesão.
É frequente existir:
- dor na região lateral ou anterior do ombro;
- dor ao elevar ou baixar o braço;
- desconforto em movimentos acima da cabeça;
- dificuldade em dormir sobre o lado afetado;
- diminuição de força ou confiança na utilização do braço.
Importa também perceber que não existe um único teste capaz de identificar isoladamente o supraespinhoso como responsável pela dor. A avaliação deve considerar os sintomas, movimento, força, capacidade funcional e contexto de cada pessoa.
E a ecografia ou ressonância?
Podem ser importantes em algumas situações, mas nem sempre são necessárias numa fase inicial.
Alterações estruturais da coifa dos rotadores podem existir sem serem a principal explicação para os sintomas. Por isso, a imagem deve ser interpretada em conjunto com a avaliação clínica e não de forma isolada. A guideline de 2025 não recomenda imagiologia de rotina logo no início do tratamento da tendinopatia da coifa.
Quanto pode a fisioterapia ajudar?
Bastante — e é uma das primeiras opções de tratamento recomendadas.
A abordagem atual assenta sobretudo numa reabilitação ativa, utilizando exercício progressivo para reduzir a dor, recuperar função e aumentar a capacidade do ombro para lidar novamente com as exigências do dia a dia, trabalho ou desporto.
Isto pode incluir exercícios para a coifa dos rotadores e restantes músculos do ombro, trabalho de controlo do movimento e uma progressão gradual da força e da carga.
Não existe, contudo, um único exercício ou protocolo perfeito para todos. Diferentes formas de exercício podem ser eficazes e o programa deve ser adaptado à capacidade, sintomas e objetivos de cada pessoa.
Técnicas de terapia manual podem também ser utilizadas para ajudar no controlo da dor a curto prazo, mas devem funcionar como complemento de uma estratégia ativa, e não como elemento principal do tratamento.
Tenho de deixar de usar o braço?
Na maioria dos casos, não.
Pode ser necessário reduzir ou adaptar temporariamente determinadas tarefas, mas o objetivo não é proteger indefinidamente o ombro. É encontrar uma carga tolerável e aumentá-la progressivamente.
A recuperação também não acontece necessariamente de um dia para o outro. A British Elbow and Shoulder Society aponta para melhorias frequentemente observadas ao longo de 6 a 12 semanas de exercício, embora o tempo necessário varie de pessoa para pessoa.
Em resumo
Uma tendinopatia do supraespinhoso não significa que tenha um ombro frágil nem que precise simplesmente de repousar.
Na maioria dos casos, a fisioterapia pode ter um papel importante através da educação, gestão da carga e exercício progressivo, ajudando o ombro a recuperar força, função e confiança.
Na +Physio, o objetivo não é apenas fazer com que o ombro deixe de doer. É perceber o que precisa de voltar a fazer e preparar o ombro para voltar a fazê-lo.
Referências:
- Desmeules F, et al. Rotator Cuff Tendinopathy Diagnosis, Nonsurgical Medical Care, and Rehabilitation: A Clinical Practice Guideline. J Orthop Sports Phys Ther. 2025;55(4):235-274.
- Naunton J, et al. The Efficacy of Exercise Therapy for Rotator Cuff–Related Shoulder Pain According to the FITT Principle: A Systematic Review With Meta-analysis. J Orthop Sports Phys Ther. 2024.



