Cotovelo de Tenista no Padel: o que fazer para voltar a jogar sem dor?
O padel tem evoluído constantemente como um desporto a nível mundial, atraindo jogadores de diferentes faixas etárias e níveis de experiência. Contudo, por ser um desporto que exige repetição de movimentos específicos e sobrecarga de determinadas estruturas do corpo, há um maior risco de lesão associado.
A lesão mais comum e prevalente em jogadores de desportos de raquete, como o ténis e o padel, é o “cotovelo de tenista”, também conhecido como epicondilite/epicondilalgia lateral.
Estudos indicam que aproximadamente 10 a 20% dos praticantes destes desportos acabam por desenvolver esta lesão em algum momento da sua prática. A sobrecarga
repetitiva dos músculos e tendões epicondilianos, aliada a fatores biomecânicos e ao uso de equipamento inadequado, contribuem para a inflamação dos tendões que se inserem no epicôndilo lateral do cotovelo e musculatura envolvente, aumentando o risco de lesão.
Neste contexto é fundamental compreender as estratégias para uma melhor recuperação e prevenção de lesões mais graves e/ou recidivas, dentro das quais se podem incluir a
decisão de parar de jogar temporariamente, reduzir a carga ou trocar de equipamento.
Estratégias de gestão da dor e/ou lesão: parar de jogar, reduzir carga ou trocar de equipamento?
- Parar de jogar (temporariamente)
A suspensão completa da atividade desportiva é uma medida radical, frequentemente recomendada em casos de dor intensa e/ou lesão aguda. A interrupção temporária visa diminuir a sobrecarga dos tendões, permitindo um processo de cicatrização inflamatória controlada. Contudo, a inatividade prolongada apresenta riscos à aptidão física geral, podendo descondicionar o atleta e tornar o seu regresso à prática desportiva mais tardio. - Reduzir a carga de treinos/jogos
A redução da carga de treinos/jogos, ajustando frequência, intensidade e volume, é uma estratégia frequentemente adotada. Estudos demonstram que a diminuição progressiva do esforço durante as sessões desportivas, associada a exercícios de fortalecimento e alongamento específicos, pode favorecer a recuperação em determinados casos. - Trocar de equipamento
A troca de equipamento, em concreto a escolha de uma raquete mais leve ou ergonomicamente adequada, tem evidências de impacto positivo na redução do stress mecânico sobre os tendões extensores do cotovelo. Raquetes com maior ritmo de amortecimento diminuem a força transmitida às estruturas ligamentares e miotendinosas e, por este motivo, pode ser algo a considerar em caso de dor e/ou lesão.

De que forma a fisioterapia pode ajudar nestes casos?
Seja numa fase inicial ou avançada de dor e/ou lesão, um fisioterapeuta pode ser a chave para ajudar o atleta a refletir sobre o melhor plano para a sua recuperação.
Numa consulta de fisioterapia são recolhidos dados contextuais do atleta, como o seu nível de jogo (casual ou profissional), frequência de treinos/jogo e estilo de vida, e dados físicos através de testes musculares, testes ortopédicos e outros, no sentido de direcionar o fisioterapeuta a um diagnóstico em fisioterapia e à melhor abordagem terapêutica, compreendendo as necessidades específicas do atleta.
Através da ecografia músculo-esquelética e de testes físicos é possível avaliar o complexo articular do cotovelo, permitindo a identificação de alterações estruturais e/ou funcionais. Com esta avaliação rigorosa é possível delinear-se um plano de tratamento para o atleta, assim como indicá-lo para a(s) melhor(es) estratégia(s) para a sua recuperação, respeitando a fase da lesão em que o mesmo se encontra.
Recorrendo à terapia manual e ao exercício clínico, o fisioterapeuta é capaz de ajudar o atleta a ganhar mobilidade articular, melhorar amplitude de movimento sem dor, normalizar o tônus muscular, reforçar estruturas e adaptar a sua tolerância à carga, respeitando os processos fisiológicos adaptativos do corpo, para que gradualmente se tratem e previnam lesões e/ou disfunções músculo-esqueléticas.
Quando há um ou vários tecidos afetados, como um tendão degenerado, fibras musculares rompidas ou alguma alteração a nível do sistema nervoso, é possível intervir diretamente nestas estruturas, com recurso a ecografia, agulhas e, em determinados casos, aplicando um tipo de corrente através das mesmas. Através destas técnicas podemos obter redução instantânea da dor e melhoria da função e integridade das estruturas relacionadas ao cotovelo, permitindo em alguns casos um retorno mais precoce à prática desportiva.

Conclusão
As lesões em contexto desportivo, como o “cotovelo de tenista” no padel, devem ser encaradas de forma individual, tendo-se em consideração a gravidade dos sintomas, o nível de atividade e as necessidades do praticante. Parar de jogar pode ser necessário em casos agudos, mas a redução de carga e a troca de equipamento, com orientação especializada, podem proporcionar um equilíbrio entre recuperação e continuidade da prática desportiva.
Consultar um fisioterapeuta faz parte de um plano eficaz de reabilitação para os seus sintomas e/ou lesão, para uma continuação ou regresso à prática desportiva sem limitações.
Artigo elaborado por Fisioterapeuta Tiago Mota, OF nº 11958
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